Notícias
28
de janeiro de 2010
Dessana Araújo
Prescrição de moderador de
apetite será mantida por endocrinologistas
O alerta da
Agência Nacional de Saúde divulgado ontem no site da
instituição pedindo moderação na prescrição
de um dos moderadores de apetite mais vendidos no país preocupou
os usuários da Sibutramina. O remédio que atua no
organismo inibindo a fome é utilizado em larga escala pelos
endocrinologistas, porém estudos recentes realizados na Europa
apontaram um aumento de 16% no risco infartos, derrames e paradas
cardiovasculares em pacientes com problemas cardíacos e portadores
de diabetes Mellitus tipo 2 tratados com a droga. Em Natal, a Sociedade
de Endocrinologia contesta os dados da pesquisa e afirma que as
prescrições do medicamento não serão
suspensas.
Para a presidente
da Sociedade, Anna Karina Medeiros, a substância é
considerada uma droga segura, pois não causa dependência
e pode ser utilizada inclusive por crianças. "Eu receito
a Sibutramina para crianças a partir dos dez anos e não
ouço relatos de efeitos colaterais graves. Ela é um
dos maiores avanços da história do tratamento da obesidade",
conta. Sobre os possíveis efeitos colaterais, a médica
explica que o paciente em tratamento pode ter insônia, boca
seca e interferências no humor, mas "nada de anormal",
afirma.
Atualmente a
médica possui aproximadamente cem pacientes em tratamento
com o remédio e diz que não vai deixar de receitar
a substância, apenas continuará restringindo o uso
em pessoas portadoras de problemas cardíacos e diabéticos.
"Nós prescrevemos a droga apenas para os pacientes com
hipertensão leve, mas agora será suspenso. Quanto
aos demais não é preciso pânico. A Sibutramina
é muito mais segura que as anfetaminas, que causam fortes
efeitos colaterais e dependência", diz.
OPINIÕES
DIVERGENTES
A dona de casa Maria Aparecida da Silva é uma das defensoras
da Sibutramina. Ao longo da vida ela conta que já tomou vários
medicamentos para tentar emagrecer e sofreu com os efeitos colaterais
das drogas mais fortes, principalmente dos derivados de anfetaminas.
Só com a chegada do medicamento mais leve se sentiu melhor.
"Antes eu sentia dores de cabeça terríveis, meu
humor ficava mudando o tempo todo. Era horrível. Isso sem
contar com a insônia, que me fazia ficar acordada até
o dia amanhecer. Com a Sibutramina é diferente. Não
sinto nada e emagreço", relata.
Quem já
não teve a mesma sorte foi a jornalista Kennya Amorim. Há
quatro anos ela recebeu do médico a prescrição
para tomar a substância. No início ela conta ter conseguido
perder peso, mas depois sofreu com as reações adversas.
"Fiquei deprimida, estressada. Até emagreci, mas depois
ganhei o dobro do peso", diz. A jornalista seguiu o tratamento
por dois meses junto com a prima, que teve problemas mais sérios.
"Ela era calma e começou a ficar agressiva, brigava
com todo mundo, queria nos bater. Tudo isso aconteceu por causa
do remédio", relembra.
SOBRE
O REMÉDIO
A Sibutramina foi lançada há 12 anos no mercado farmacêutico
com a proposta de inibir o apetite, promovendo uma sensação
de plenitude alimentar, sendo indicada no tratamento da obesidade
em pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) igual
ao superior a 30.
Para os especialistas,
o medicamento, apesar de não ser considerado de uso restrito,
deve ser utilizado com moderação, em conjunto com
uma dieta específica e atividades físicas para evitar
o chamado "efeito sanfona", quando o paciente ganha o
peso que perdeu rapidamente, por não ter uma dieta apropriada.
Segundo
dados da Anvisa, de 2005 até hoje foram registradas 37 queixas
de usuários com reações adversas graves ao
produto. Deste total, 14 notificações estavam relacionadas
à problemas cardiovasculares, porém, os paciente não
haviam informado sobre doenças cardíacas pré-existentes
aos médicos.
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