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Prescrição
de Anorexígenos: a discussão continua...

A
polêmica contra os anorexígenos iniciou em janeiro
de 2010 quando endocrinologistas do mundo inteiro foram surpreendidos
com a notícia da Agência européia de medicamentos
(EMEA) proibindo a prescrição e venda da medicação
Sibutramina na Europa. A decisão teria se baseado nos resultados
parciais de Estudo SCOUT (somente publicado em setembro daquele
ano). Em seguida, a Anvisa (Agência nacional de vigilância
sanitária) divulgou alerta aos profissionais de saúde
brasileiros e anunciou que sua Câmara Técnica de Medicamentos
faria uma nova avaliação do estudo, com o objetivo
de verificar os níveis de segurança da substância
em pacientes com perfis distintos dos já estudados.
No início de 2011, a agência divulgou no site a nota
técnica com o parecer da Farmacogilância sobre o tema.
Na lista dos medicamentos que poderiam ser suspensos estavam os
à base de sibutramina e os anorexígenos anfetamínicos
(anfepramona, femproporex e mazindol).
No dia 23 de fevereiro, entidades médicas e membros da Anvisa
participaram de audiência pública em Brasília
onde discutiram a proposta da agência de retirada de mercado
dos medicamentos anorexígenos.
Para a presidente da ABESO (Associação brasileira
para o estudo da obesidade e síndrome metabólica),
Dra. Rosana Radominski, endocrinologistas apresentaram dados irrefutáveis
de que os medicamentos são eficazes e apresentam baixo risco,
quando utilizados de forma correta e sob prescrição
ética. “Baseados em dados científicos revelamos
que o documento utilizado pela Anvisa como referência para
a recomendação da suspensão do registro dos
medicamentos continha erros graves, e interpretações
tendenciosas de estudos publicados sobre o assunto. Diante deste
cenário, depois de mais de cinco horas de reunião,
Anvisa recuou de seu propósito inicial”, afirma. “Espera-se
que, a partir de agora, as decisões tomadas não sejam
mais unilaterais e que seus técnicos admitam que também
erram. A revisão de uma decisão não pode ser
vista como derrota e sim como uma medida de bom senso, humildade
e sabedoria”, completa a especialista.
Segundo Dr. Ricardo Meirelles, que representou a SBEM e a AMB na
audiência, os endocrinologistas devem ser consultados e convidados
a participarem de todas as discussões a respeito do tema.
“Esperamos que essa reunião seja apenas a inauguração
dos debates e esperamos que a Anvisa esteja cada vez mais perto
das sociedades médicas, uma vez que somos nós que
lidamos no dia a dia com o paciente. Nos colocamos à disposição
da Agência para contribuir com a decisão. Discordamos
da forma unilateral como foram conduzidas as discussões prévias
deste tema, uma vez que a comunidade científica, a que mais
lida diretamente com o tema obesidade, foi excluída dos debates”,
completou.
Como desdobramento desta audiência, a Comissão de Seguridade
Social e Família da Câmara dos Deputados convidou diversos
especialistas no assunto para reunião de audiência
pública na terça-feira, dia 5 de abril, às
14h30m, em Brasília. Os quatro principais convidados, que
participarão dos debates, são: o Presidente da Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Airton Golbert;
a Presidente da Associação Nacional de Farmacêuticos
Magistrais (ANFM), Maria do Carmo Garcez; o Diretor da Anvisa, Dirceu
Barbano; e o Presidente do Conselho Federal de Medina (CFM), Roberto
Luiz D’ávila.
Leia
Opinião de especialista:
O site da ABESO disponibilizou artigo
no qual o endocrinologista Marcio Mancini – responsável
pelo Departamento de Epidemiologia da entidade e membro do
Departamento de Obesidade da SBEM – argumenta detalhadamente
a favor da não proibição dos medicamentos.
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